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Caiu do cavalo quem pensou que Sandy não daria conta de encarar com nobreza
o repertório de Michael Jackson. No show que traz nessa segunda-feira
(21) a São Paulo, a cantora e sua banda recriam com inteligência
e bom gosto canções de diversas fases do artista, do menino
prodígio do Jackson 5 ao astro mundial de "Thriller".
A estreia nacional aconteceu no sábado (19), em Curitiba, como parte do Circuito
Cultural Banco do Brasil. Além de Sandy cantando Michael, o projeto
traz o repertório de Chico Buarque visitado por Maria Bethânia,
e as canções de Roberto e Erasmo Carlos recriadas por Lulu
Santos. A direção é sempre de Monique Gardenberg.
Sandy é mesmo a maior surpresa
do pacote. Ela consegue escapar de todos clichês que envolvem
a memória de Michael.
Os arranjos instrumentais, criados por ela
com sua banda e o marido Lucas Lima, transformam delicadamente
as canções sem descaracterizá-las. Não é que Sandy faça feio
nas mais animadas, como "Bad", "Billie Jean", "Thriller" e "Don't Stop Till You Get Enought". Mas é nos números mais lentos que a cantora brilha de fato. Parece que foram
escritos para a voz dela.
Exemplos? Calcado em piano, baixo e bateria
apenas, "Ben" ganhou ares de cool jazz. "Music and Me" e "I'll Be There" têm sua raizes folk realçadas pelos violões de aço. E até "Earth Song", cafoníssima na interpretação original de Michael, ganha sobriedade e elegância
na versão de Sandy.
Ela e Monique são precisas também na escolha
dos elementos extramusicais que ajudam a trazer para o palco
o universo do artista. Usam o chapéu, o colete vermelho de "Thriller", a luva, os paetês. Mas nada é mera fantasia carnavalesca, ninguém quer imitar
Michael Jackson. Os objetos apenas insinuam o universo do cantor.
Em vários momentos do show, Sandy faz um paralelo
entre sua história e a de Michael, "a vida dele foi exposta ao mundo desde pequeno, coisa com que me identifico". Talvez seja por esses espelhos, "Man in the Mirror", que ela consiga vê-lo além das caricaturas. E é preciso admitir: ela sabe do
que está falando.
Por Marcus Preto, Folha.com |