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O lançamento do primeiro álbum da banda de rock Nove Mil Anjos nesta terça-feira
(25) chega com uma polêmica: o grupo formado por estrelas é jogo
de marketing?
Em entrevista à Folha Online, o baterista Junior Lima nega que
a escolha de músicos conhecidos, como o baixista Champignon
e o guitarrista Peu Sousa,
tenha sido proposital. Na entrevista, ele citou a banda Red Hot Chili
Peppers como uma de suas influências, afirmou que não espera
vender muitos discos com a banda e que não baixa músicas pela
internet porque é aficionado por comprar CDs. "O meu recorde foi 43 CDs na bagagem", disse.
Leia abaixo a entrevista:
Folha Online - Você chegou a tocar outros
ritmos, como soul em sua banda Soul Funk, mas decidiu montar
uma banda de rock. Por quê?
Junior Lima - Porque rock é bom de tocar.
Eu gosto muito de rock há um bom tempo. Essa foi uma tendência
natural. Quando você tem muita vontade e se mexe pra isso, as
coisas acontecem. E foi isso que aconteceu. Eu busquei evoluir
instrumentalmente e não me acomodar onde eu estava. Aí acabei
chegando onde estou agora.
Folha Online - E quais são suas bandas favoritas?
Junior - O que eu tenho mais ouvido ultimamente
são as clássicas, como Led Zeppelin, Beatles, Nirvana, Red Hot
Chili Peppers, Jimi Hendrix...
Folha Online - São essas as referências musicais
do Nove Mil Anjos?
Junior - Quando se faz um rock nesse segmento
que a gente está enquadrado - que não é metal nem punk - não
tem como fugir das influências. Receber influências é mandamento
do rock.
Folha Online - Você agora está atrás da bateria.
Você se sente melhor tocando do que cantando?
Junior - Bateria foi meu primeiro instrumento.
Tive minha primeira bateria aos três anos de idade, antes de
começar a cantar. É uma paixão muito antiga, e é onde eu me sinto
mais livre, me sinto em casa. Fico muito mais confiante do que
cantando.
Folha Online - Sua intenção também é descolar
a imagem de cantor de adolescentes?
Junior - Não. A minha intenção é me realizar
como músico. A imagem é uma conseqüência que independe de mim.
Muito dessa imagem depende do que as pessoas escrevem na mídia.
Tem rótulos que criam ao longo do tempo e que fogem do meu domínio.
Minha intenção é fazer justamente o que estou fazendo: tocar
com bons músicos. Estou fazendo o que eu tenho vontade, só falta
agora cair em turnê.
Folha Online - Então você não estava realizado
cantando com a Sandy?
Junior - Eu estava realizado, mas agora estou
realizado de outra maneira.
Folha Online - Você não teme que seus fãs
tradicionais se assustem com as mudanças e acabem recusando o
novo trabalho?
Junior - Eu acho isso natural. Toda banda
que fez diferença na história do rock passou por mudanças. Quando
chega o novo, todo mundo estranha. O nosso rock é diferente do
que está rolando por aí no Brasil, e é diferente do que os integrantes
da banda vinham fazendo. Quem é fã estranha. Seria ruim se não
houvesse esse estranhamento porque a gente estaria sendo apenas
previsíveis.
Folha Online - Algumas pessoas vêm dizendo
que a formação de uma banda de músicos conhecidos foi uma jogada
de marketing? É isso mesmo?
Junior - Não (risos). Até agora ninguém sabe
quem procurou quem, foi uma parada muito natural.
Folha Online - Como foi a formação da banda?
Junior - Eu já tocava bateria em uma banda
de black. Minha intenção era tocar em lugares pequenos. No mesmo
período, o Champignon tinha o mesmo tipo de projeto, mas com
rock e a gente acabou dando canja no projeto do outro. Logo
de cara eu achei o máximo
tocar com o Champignon. Eu também toquei com o Peu e
enlouqueci. Quando eles começaram a falar em tocar juntos,
acabaram lembrando de mim. Quando eu pensei em fazer
rock, quis que fosse com bons instrumentistas, e as primeiras
pessoas que vieram à cabeça foram os dois.
Folha Online - O disco da sua banda foi todo
disponibilizado no MySpace. Você não teme que isso diminua as
vendas?
Junior - Se eu for ficar tendo esperança com
venda de disco... Quem compra CD é quem tem apego por determinada
banda. Não existe mais essa coisa de venda de CD em números gigantes.
Eu já cheguei a vender três milhões de discos. Hoje não dá. A
internet está aí pra divulgar o trabalho. A galera está comentando
muito no MySpace sobre o nosso disco, dizendo que gostou muito
e quer comprá-lo.
Folha Online - O que você ouviu na internet
ultimamente?
Junior - Estou sem tempo em razão do lançamento
do nosso disco. Eu vou dormir sempre às 5h e acordo ao meio-dia.
Folha Online - Você baixa música pela internet?
Junior - Eu não quero ser hipócrita, mas não
baixo músicas. Eu nem tenho um programa de download no meu Mac.
Mas eu ouço muita música pela internet, como no Last.fm, ou no
YouTube. E eu tenho um apego a CD, principalmente das bandas
que eu gosto. Toda vez que eu vou para o exterior, passo uma
tarde em alguma grande loja de CD pesquisando e saio com uma
pilha.
Folha Online - Quantos discos você já trouxe
em uma viagem?
Junior - O meu recorde foram 43 CDs na bagagem.
Espalhei tudo entre as roupas pra não quebrar (risos). Aqui no
Brasil eu não posso ficar tanto tempo em uma loja.
Folha Online - Qual a faixa de idade do público
vocês esperam conquistar?
Junior - Eu acho que vai ser em torno dos
20 anos, até porque os integrantes da banda têm 30 [Champignon],
31 [Peu], 33 [vocalista Peri] e eu tenho 24. Eu sou o caçula
de idade e o mais velho de guerra (risos).
Folha Online - Por que há poucas músicas românticas
no disco?
Junior - Realmente tem pouca coisa. As letras
são o resultado do que a gente é. O CD tem suas complicações,
seu virtuosismo, mas tem uma parada mais pop no refrão, por exemplo.
Ele tem sua veia pop, mas não acho que seja tão distante da linha
pop que cabe ao rock. Nosso disco não tem lamentação. Aqui é
peito erguido e bola pra frente.
Folha Online - Por que o nome "Nove
Mil Anjos"?
Junior - O Peu sonhou com isso há uns dois
anos. A gente nem era amigo, só se conhecia. Ele acordou no meio
da noite assustado, mas não lembrava de nada que tinha sonhado.
A única coisa que tinha em mente eram essas três palavras na
seqüência. Quando a gente estava com a banda formada e pensando
em um nome, ele lembrou dessa história e contou.
Toda a vez que a gente falava do assunto,
esse nome voltava. Então a gente foi tentar saber o significado
do nove em numerologia e na simbologia de outras civilizações.
O nove tem a ver com renovação, ressurgir, recriar, e é o que
a gente está fazendo: se reinventando. Aí deixamos esse nome,
que é diferente, que pega.
Folha Online - Mas as pessoas não confundem
o número de anjos?
Junior - Sim, as pessoas sempre perguntam
'são quantos anjos mesmo (risos)?' Logo os fãs se acostumam.
Foram eles que apelidaram a banda com as três letras "9MA". |