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Sandy acaba de lançar seu primeiro CD solo, Manuscrito. Com 13 canções de sua
autoria, o disco vendeu 40 mil cópias em dez dias. O álbum
foi produzido pelo irmão, Junior, e pelo marido, o músico Lucas
Lima. A cantora de 27 anos falou sobre a carreira e a vida
pessoal respondendo a perguntas de leitores de ÉPOCA. Sandy
diz que fica irritada com os boatos que surgem na mídia. “Minha
conduta como filha, esposa, amiga, irmã pouca gente sabe como
é. Ninguém pode julgar ou ‘achar’ qualquer coisa”, diz. Ela
afirma que encontrou no Twitter a ferramenta para se comunicar
de forma direta com seu público.
Como artista solo, você tenta desvincular sua imagem do universo pop teen e se
encaixar no universo cult, fazendo referências a Clarice Lispector,
dizendo que é melancólica. O que pretende com a nova imagem?
Péricles Costa Stuhr, Porto Alegre, RS
Sandy – Quando falo em melancolia e deixo
clara minha admiração por Clarice Lispector e outros autores,
meu objetivo é dar um panorama de quais são minhas referências
na literatura, o que me inspira artisticamente. Meu trabalho
em carreira solo é resultado daquilo que vivo e já vivi e, consequentemente,
das coisas que gosto de ler, de ouvir etc. Minha imagem é apenas
um reflexo disso. Não tenho a pretensão de escolher e/ou direcionar
meu público. É o público quem nos escolhe. Minha intenção é continuar
fazendo música, minha grande realização, e levar algo de positivo
às pessoas.
Você teme que os fãs rejeitem esse projeto,
já que pode ficar subentendido que o trabalho é voltado para
outro público?
José Riglênio Guimarães, Aracaju, SE
Sandy – Vivi algo parecido na dupla com meu
irmão. Como tivemos quase duas décadas de carreira, nosso público
modificou-se. Alguns fãs se foram, outros chegaram. É um ciclo
natural. Sei que isso acontecerá na fase solo. Fico feliz porque
vejo alguns fãs “antigos” dando muito apoio; da mesma forma que
também tenho notado gente nova se identificando.
No novo CD, todas as músicas foram compostas
por você e soam bastante intimistas. Como lida com a exposição
de seus sentimentos nas canções?
Elizandra Magalhães, Rio de Janeiro, RJ
Sandy – Este é o projeto em que mais me permiti
exprimir meus sentimentos. As composições de Manuscrito não são
necessariamente autobiográficas, mas falam muito de mim. No projeto
há muitas coisas implícitas, subentendidas, mas que revelam até
um limite que controlo. Continuo, sim, reservada no quesito vida
pessoal. Mas aprendi a lidar muito melhor com tudo isso ao longo
dos anos.
Se sua carreira solo e a do Junior não forem
tão bem como esperam, já pensaram em voltar a cantar juntos?
Regiane Cortes, Muritis, MG
Sandy – Quando optamos por encerrar o projeto
juntos, nem sabia o que seria da minha vida profissional. Passaram-se
dois anos e meio até eu retornar com este projeto solo. Acabei
de voltar e nem parei para pensar nisso. Mas posso adiantar que
um “hipotético retorno da dupla” teria de estar atrelado a uma
vontade nossa, e não por algo não ter “dado certo”.
Artistas que seguiram solo, como Paula Toller,
Toni Garrido e Ivete Sangalo, continuam cantando músicas de suas
“ex-bandas”. O receio de incluir músicas antigas nos shows é
por não querer misturar as coisas ou insegurança de estar sem
seu irmão?
Kelly Silva, Nova Iguaçu, RJ
Sandy – Ainda estou formatando meu show. Não
defini o que vai entrar no repertório, além das 13 faixas do
CD. Não excluo a possibilidade de cantar algumas músicas da fase
mais recente da dupla. Músicas como “Abri os olhos” e “Estranho
jeito de amar” combinam com a fase atual. E não considero “receio”.
Só quero estar com um set list coerente e condizente com o projeto
novo.
Você deixaria que seus filhos começassem uma
carreira musical ainda crianças e, consequentemente, tivessem
a vida exposta na mídia desde muito cedo, assim como aconteceu
com você e seu irmão?
Beatriz Souza, Campinas, SP
Sandy – Não vou “estimular” isso porque sei
quão difícil essa empreitada pode ser. Mas, se for a vontade
deles, claro que vou dar apoio e incentivo, assim como meus pais
fizeram.
Você acompanha o surgimento da nova geração
de cantoras do Brasil? Maria Rita, Céu, Vanessa da Mata, Isabella
Taviani, Roberta Sá, Mariana Aydar, Ana Cañas, Maria Gadú...
César Neves Júnior, Nilópolis, RJ
Sandy – Acho fantástico o “surgimento” desses
grandes talentos. Faço questão de colocar “surgimento” entre
aspas porque a grande maioria dessas cantoras está na estrada
há muito mais tempo do que, de fato, o grande público conhece.
São mulheres talentosíssimas, com trabalhos consistentes e um
público cativo.
Você mantém contato constante com os fãs no
Twitter. Já se sentiu invadida e com vontade de fechar a conta?
Rona Andalla, Uberaba, MG
Sandy – Abri minha conta no Twitter com o
objetivo principal de manter um contato mais próximo com meu
público. É uma comunicação direta e instantânea. Adoro essa ferramenta.
Não me sinto “invadida” porque as pessoas leem em minha página
aquilo que me senti à vontade em dividir com elas.
O que as pessoas e a mídia pensam sobre você
que se trata de um tremendo engano?
Luana Sampaio Chagas, Rio de Janeiro, RJ
Sandy – Prefiro não usar um exemplo específico.
Mas, de forma geral, considero um tremendo engano algumas pessoas
julgarem minha personalidade e minhas atitudes sem me conhecer.
Opinar sobre meu trabalho, o.k. Mas ninguém pode julgar ou “achar”
qualquer coisa sobre minha conduta como filha, esposa, amiga,
irmã, entre outras que procuro preservar. Acho muito errado as
pessoas rotularem.
Agora que está mais madura e faz um trabalho
para outro público, posaria nua?
Ricardo Alexandrino, Macaé, RJ
Sandy – Não aceitaria. Isso não tem a ver
com maturidade. É claro que não serei hipócrita a ponto de dizer
que não mexe com meu ego entrar nessas listas de mulheres mais
sexy do Brasil. Como mulher, fico lisonjeada e acho bacana, mas
não a ponto disso me impulsionar a fazer um ensaio nu.
O que você sentiu ao receber a notícia de
que, em apenas 10 dias, "Manuscrito" já havia ganhado disco de ouro?
Elisa Carolina Cardoso, Caieiras, SP
Sandy – Fiquei extremamente feliz e muito
surpresa. Quando decidi retomar a carreira musical, gravando
um primeiro álbum solo e de músicas inéditas, não sabia exatamente
como esta nova etapa seria aceita pelo público. Esta rápida resposta
foi altamente gratificante e significativa pra mim; ainda mais
levando-se em conta o atual momento do mercado fonográfico, em
que a cada dia vendem-se menos discos.
Na música “Tempo”, você fala que até a “imagem
no espelho passa”. Você já se sente velha?
Lídio Mateus, São Paulo, SP
Sandy – (rs). Em ‘Tempo’ a ideia é mostrar
que tudo passa... Tanto as experiências boas quanto as ruins.
Não me acho velha, não! Mas, apesar de ter apenas 27 anos, acho
que já vivi muitas experiências... As boas e as ruins; como todo
ser humano. Talvez, por ter começado a trabalhar tão cedo e ter
tido que lidar com muitas responsabilidades tão precocemente,
eu já tenha vivido coisas que algumas pessoas da minha idade
vão passar só mais pra frente, como, por exemplo, ‘recomeçar’
na vida profissional. Tem gente que, aos ‘vinte e poucos’, está,
de fato, começando, não é? A cada aniversário eu brinco: ‘mais
velha, não: um ano mais experiente!’
O que a levou à carreira solo, num momento
em que o público considerava interessante a permanência de sua
parceria com seu irmão Junior?
Pio Barbosa Neto, Fortaleza, CE
Sandy – Não foi uma decisão tomada do ‘dia
para a noite’. Foi um processo natural e que nós dois amadurecemos
juntos até chegar à decisão de encerrar a carreira em dupla.
O fato das pessoas gostarem do nosso trabalho conjunto também
nos deixava inseguros com a escolha. De forma bem ‘simplista’,
era terminar algo que estava dando certo. Mas tivemos que ser
honestos com nós mesmos... Os nossos caminhos musicais individuais
já não se conversavam como antigamente.
O que você guarda do início da carreira, aos
6 anos. Hoje, você já conquistou tudo o que queria ou ainda tem
algum sonho?
Liliã de Lima, Salvador, BA
Sandy – Muitas lembranças boas, momentos divertidos,
acontecimentos inesquecíveis, grandes conquistas. Por mais clichê
que possa parecer, é como se passasse um filme em minha cabeça...
Repleto de personagens, lugares, paisagens e com uma narrativa
cheia de ótimas surpresas. Já lancei 17 discos, fiz novela, seriado,
cinema, percorri o Brasil de ponta a ponta, Maracanã, Rock’n
Rio, terminei minha faculdade, me casei... Aos 27 anos acho que
já conquistei muitas coisas. Sou feliz, grata e satisfeita com
tudo. Mas acredito que o que nos move são os nossos sonhos. Não
importa o tamanho deles, mas, sim, a intensidade com que estamos
dispostos a vivenciá-los. Eu quero viver muitos ainda!
Ainda na época da dupla Sandy & Jr.
vocês iniciaram a carreira internacional, mas acabaram abandonando
o projeto pela falta de tempo. E agora, com a carreira solo,
você tem pretensão de começar uma carreira no exterior?
Adrio de Lima, São Paulo, SP
Sandy – Meu foco é aqui no Brasil. Não pensei
na hipótese de trabalhar este projeto no exterior. Se recebesse
um convite pontual para fazer alguma apresentação em outro país,
analisaria a possibilidade com carinho. Mas trabalhar a carreira
internacional de forma mais ‘pró-ativa’, com divulgação, turnê
em vários países etc. está fora de cogitação. Eu continuo sendo
a mesma que, em 2002, deu prioridade ao Brasil.
Recentemente, você declarou que um sorriso
pode esconder diversas mensagens que não necessariamente sejam
felicidade ou alegria. Você já pensou na possibilidade de usar
a sua música como um instrumento de fuga?
Bruno Cabral Rodrigues, Santos, SP
Sandy - É do ser humano usar alguns instrumentos
de fuga de vez em quando. Tem gente que quando está triste, chora,
outros comem demais, alguns dormem, tem os que se calam, outros
falam muito. A música é parte integrante da minha vida. Ou estou
cantando, ou ouvindo música... Já cantei nas mais distintas situações:
feliz, triste, ansiosa, tranquila... Às vezes, quero ouvir música
pra me divertir; às vezes, para refletir... Em cada momento,
ela está presente em nossa vida de um jeito!
Quais são as influências musicais que você
segue?
Hildebrando dos Santos Soares, São Paulo, SP
Sandy - Eu tenho um gosto eclético para a
música, gosto de um pouco de tudo. Mas, ultimamente, tenho ouvido
mais o pop e o rock britânicos. Curto muito do trabalho da KT
Tunstall, Jamie Cullum, Damien Rice, Coldplay, a Nerina Pallot,
que participou da faixa 'Dias Iguais'... E muitos outros. Não
tenho influências muito diretas no meu trabalho, mas sei que
o que a gente curte e ouve acaba refletindo nele indiretamente.
Você acredita que possa existir uma grande
amizade entre você e algum fã seu? Isso já aconteceu?
Guilherme Colombro, Lorena, SP
Sandy - Claro que sim! Já aconteceu e mantenho
estas amizades verdadeiras e sinceras até hoje! Não é algo muito
comum, mas é possível; não teria por que não ser. |